Pular para o conteúdo

Produção.

O poeta só escreve quando se sente triste, ultimamente estava feliz demais para escrever. Finalmente consegui amar.

Anúncios

Término.

hevean_knows_i_m_miserable_now_by_deathdaydream_dbhyl4t-fullview.jpg

 

Término.

Hoje é nosso fim,

sou muito instável.

Quando esqueço de mim,

acontece o inevitável.

O medo do futuro,

a incerteza do saber.

As fobias que misturo,

me incentivam a beber.

Conscientemente entorpecido,

me observo descontente.

Claramente estou perdido.

Seu potencial desperdiçado,

por alguém doente.

Aceito que está acabado.

Battistuzzo,F.

Imagem:hevean knows i’m miserable now por Deathdaydream 

Suicida.

dead_body_by_twilitesmuse_d5hn2wj-fullview.jpg

Suicida.

Me encontro abandonado,

sozinho e descrente.

Pela dor sou incomodado,

aceito-a como presente.

Abortei a responsabilidade,

da auto-motivação.

Ignoro a felicidade,

abraço a depressão.

O processo introspectivo,

contribui ao caos interno.

O desespero é relativo.

O frágil conforto,

no sofrimento eterno.

Meu corpo está morto.

Battistuzzo,F.

Imagem:dead body por Twilitesmuse

Pulsos.

scars_by_wonderbandalice_d4iu8ue-fullview.jpg

 

Pulsos.

Me sinto rejeitado,

tóxico emocionalmente.

Sozinho e abandonado,

vivo inconsequentemente.

Moralmente destruído,

repito meus padrões.

O comportamento repetido,

buscando novas soluções.

Defino a insanidade,

flerto com a loucura.

Fujo da moralidade.

Aceito meu destino,

a lamina que perfura.

O atestado que assino.

Battistuzzo,F.

Imagem:scars por Wonderbandalice

Possibilitei.

love_by_natasamakri_d5fthq0-fullview.jpg

Possibilitei

Entrego-me ao desespero,

a angustia do sentir.

Volátil por inteiro,

permito-me permitir.

A dor que me fere,

confirma o que suspeitava.

O amor me gere,

estimulando o que me matava.

Extremamente intensivo,

ignorei a consequência.

Por você agora vivo.

Aquilo que relutava,

hoje faco com ciência.

O lógico me limitava.

Battistuzzo,F.

Imagem:love por Natasamakri

Criativo.

sadness_by_spinewinder_d2a6e76-fullview.jpg

 

Criativo.

O poeta angustiado,

se acalma escrevendo.

O homem desmotivado

acaba renascendo.

Palavras vomitadas,

escorrem da caneta.

Ideias rascunhadas,

aguardam ser borboleta.

A metamorfose do sentir,

transformada em versos.

Me culpo por existir.

Elaboro meus pensamentos,

que já estão imersos,

em profundo desapontamentos.

Battistuzzo,F.

Imagem:sadness por Spinewinder

Ruiva.

redhead_by_cutmore_dt8o3z-fullview.jpg

 

Ruiva.

 

Jamais irei entender seu comportamento efêmero, você conseguiu estimular sentimentos que há tempo lutava para não me apropriar. O carinho, o tesão e a admiração que você estimulou em mim de uma maneira tão rápida se foi na mesma intensidade e aqui estou, perdido na madrugada escrevendo em um momento de euforia coisas que claramente preciso elaborar.

Quando fecho os olhos, lembro do seu corpo suado, seu peito inflando com as puxadas de ar enquanto você gemia de prazer. Você ainda não sabe mas o que mais me dava tesão era observar seu cabelo bagunçado e seu rímel borrado ao final do sexo. Acendo um cigarro e o cheiro da fumaça se misturava com o cheiro do nosso suor, observava você e me sentia completo. Sentimentos de completude que nunca mais senti, busco hoje incansavelmente esse sentimento com mulheres aleatórias porém nada me entorpeceu tanto quanto você.

Talvez seja por isso, por ter sido algo condenado a uma única experiência que me encantou. Talvez seja minha carência na época, talvez seja nossa química, talvez seja nossos signos, talvez o universo por um breve momento conspirou ao meu favor.

Battistuzzo,F.

Imagem: redhead por cutmore

Preso.

chained por fragilemuse.jpg

 

Preso.

Permaneci sufocado,

desequilibrado mentalmente.

O medo do passado,

paralisava-me completamente.

Propiciei a reflexão,

desespero que temia.

Encontrei minha frustração,

onde menos queria.

Psicologicamente criada,

aversiva a mim mesmo.

Sou a própria piada.

Ignoro a realidade,

sobrevivo a esmo.

Fantasio minha liberdade.

Battistuzzo,F.

Imagem:chained por fragilemuse

Insônia.

insonia_i_by_phantasiezug_d1eintc-fullview.jpg

 

Insônia.

Eis que na calada da madrugada em meio a tentativas frustradas de conseguir de fato dormir, meu corpo cansado e exausto gritava por descanso, contudo a mente exalava desconforto em palavras, frases soltas. Tentei me render por várias vezes ao cansaço físico e focar em simplesmente dormir. Contudo as horas foram se passando e cada vez me angustiava mais em saber que não estava descansando e também não estava produzindo. Sendo assim busquei a ruptura e tentei pela última vez virar de lado e dormir, foi quando fui acometido por uma terrível dor de cabeça e finalmente entendi que era meu corpo que gritava pela ânsia do escrever.

Levantei e peguei meu bom e velho caderno de ideias e comecei a escrever esse texto, sem sentido, sem uma argumentação totalmente elaborada, mas com o desejo eminente de voltar a rabiscar o papel, sentir o cheiro da tinta da caneta e escutar as palavras conversarem entre si.

Escolhi me dar o direito de escrever e sentir o tesão de conseguir me expressar de maneira efetiva e sem julgamento. Escolhi entrar em contato comigo mesmo. Escolhi novamente sofrer. Uma escolha consciente, onde somente escrevendo me permiti sentir a dor e o desespero que me chamava na calada da madrugada.

Battistuzzo,F.

Imagem:Insonia I por Phantasiezug

Pregando.

the_leader_by_nikolasbrummer-d5qnwae.jpg

 

Pregando.

A maldição do sentir,

prolifera o exagero.

Falho em resistir,

entrego-me ao desespero.

A angustia se traduz,

na incerteza do saber.

O ódio se reproduz,

sem eu me perceber.

Repudio o diferente,

em nome da moral.

Sou inconsequente.

Escolho a truculência,

para defender meu ideal.

Ignoro a consequência.

Battistuzzo,F.

Imagem:The Leader por Nikolasbrummer

Hiato.

sink_into_the_abyss_by_nataliadrepina_datz6yg-fullview.jpg

 

Hiato.

Novamente me encontro naquele momento em que me sinto obrigado a voltar a escrever para uma reorganização mental. Em qual momento meu reflexo se tornou algo grotesco, costumava me observar com facilidade em palavras expressadas, aos poucos fui me afastando e desenvolvendo aversão a escrita, a auto crítica e principalmente a mim mesmo.

Fugi e consegui me esconder, enquanto flutuava em meio a águas tediosas. O desespero era evidente, contudo escolhia ignorar e dava início ao meu naufrágio. Me afundando em águas calmas observei com mais clareza todo meu declínio emocional.

Hoje percebo que finalmente preciso emergir dessa poça de sentimentos vazios e sentir novamente o desespero do sentir. Hoje eu escrevi.

Battistuzzo,F.

Imagem:sink into the abyss por nataliadrepina

2019

hands_by_b00th1e.jpg

 

2019

Em tempos onde precisamos ser resistência o combate a qualquer tipo de comportamento disruptivo é necessário. Continuaremos sendo caçados, subjugados e marginalizados, porém agora que a caça e o ódio está difamado e sendo consumido na sociedade doentia em que vivemos é que devemos nos unir ainda mais como uma só voz.

Sempre é muito mais escuro antes do amanhecer e prevejo anos na escuridão, o medo impera sobre nós, nossa empatia deverá permanecer. As lutas das classes não pode ser apagada, agora é o momento de nos unirmos ainda mais, pois só temos uns aos outros. Devemos ser resistência, não iremos aceitar ideologias impostas socialmente. A glória do nosso futuro depende do sucesso da nossa resiliência.

Esse é o momento em que devemos estender a mão, ter mais compaixão pelo outro e defender aquilo que acreditamos com maior veemência. Iremos vivenciar tempos onde tudo e todos estará contra nós e é nosso dever ético e moral permanecer fiel ao que acreditamos pois sabemos que a intolerância e a violência é sedutora.

Não podemos deixar que esse discurso de ódio nos contamine. Somos resistência, seremos resistência e permaneceremos resistência até quando deixar de existir a violência.

Battistuzzo,F.

Imagem: hands por b00th1e

Demônios.

a8e69586-75be-4f2b-965b-743aa4f02fe8.jpg

 

Demônios.

Essa semana observei que desde segunda em cada esquina da rua principal que corta a rua principal do meu bairro tinha pequenas oferendas em cada esquina.  Fiquei feliz por ver essa demonstração pública de uma crença que difere das outras, apesar do meu ateísmo eu acho válido esse tipo de manifestação religiosa, onde ninguém é sacrificado, ninguém é humilhado ou colocado como bode expiatório para explorar valores morais de uma elite. A pessoa que fez essa oferenda, fez aquilo sem querer ganhar nada de ninguém, sem querer colocar seus ideias goela abaixo de uma sociedade, não desmereceu a cor, etnia e orientação sexual de outra pessoa, ela simplesmente deixou ali sua contribuição com seu deus.

Contudo o destino sempre reserva algo especial, hoje a tarde estava andando pela rua quando observo uma mãe em um ato de repulsa puxar seu filho de perto dessa oferenda e falando que aquilo era coisa do mau, que não era nem pra ele chegar perto, como se fosse algo contagioso, espalhando o medo e pregando a intolerância religiosa naquela criança que observava aquilo com um olhar curioso e inocente, ao invés dessa mãe explicar que é um outro tipo crença que existe idéias diferentes e que não existe problema nenhum delas coexistirem nessa sociedade contemporânea em que nos coexistimos. Não! Ela fez o oposto, contudo o que mais me assusta não é o despreparo psicológico para construir o caráter da prole e sim a hipocrisia dessa mãe.

Foi possível observar enquanto arrastava seu filho longe da oferenda que em seu peito carregava um colar dourado com um pingente de uma cruz, símbolo religioso e demonstração religiosa da sua crença, então essa mãe carrega em seu pescoço o símbolo religioso de sua crença mostrando pra todas as pessoas pela qual transita que ela acredita em tal religião e em tal deus, espalhando assim o seu ponto de vista. Contudo ao encontrar algo que difere de sua concepção religiosa, não hesita em difamá-la. Por um breve momento fico triste, inconformado pois sei que é desse jeito que pessoas moralistas são moldadas, é desse jeito que a mãe ensina o filho a desprezar a opinião do próximo, é desse jeito que criamos o preconceito. Desse jeito que criamos monstros, demônios que julgam e discriminam algo que não compreende pelo simples fato de não entender o verdadeiro significado proposto.

Battistuzzo,F.

Imagem:Acervo pessoal.

Paranoia.

paranoic_by_raijana.jpg

 

Paranoia.

Desacredito na verdade,

desde cedo fui doutrinado.

Meu mundo de insanidade,

para sempre amaldiçoado.

Sou persecutório,

insano mentalmente.

O medo obrigatório,

de algo inconsciente.

O real é ineficaz,

incompleta a totalidade.

Tenho que ser sagaz.

Minha alucinação,

me traz a tranquilidade.

Permaneço em dissociação.

Battistuzzo,F.

Imagem:paranoic por raijana

Ela.

PADME Dia de Los mortos por S von P.jpg

 

Ela.

A dificuldade é evidente,

eu estou impossibilitado.

Sou um inconsequente,

que reviveu o passado.

Os espasmos musculares,

era meu caos interno.

Minhas cruéis preliminares,

para adentrar ao inferno.

Reexperencio emoções,

devidamente recalcadas.

Ignoro minhas razões.

As torturas do sentir,

são intensificadas.

O vazio do seu inexistir.

Battistuzzo,F.

Imagem:PADME Dia de Los mortos por S von P

Confiar.

useless_and_blue_by_zephy0-dbbu4r2.jpg

 

Confiar.

A dor da partida,

expressa-se em lágrimas de dor.

Outra vez fui iludida.

Battistuzzo,F.

Imagem:useless and blue por zephy0

Demônia.

here_she_comes_by_sangelus-d6e25hu.jpg

Demônia.

Ela era inferno. Sua presença me aterrorizava, contudo apesar do horror em seus olhos mantive minha postura e continuei caminhando em sua direção, quanto mais me aproximava, mais sentia o calor exalado por sua presença aos poucos queimar o resto que eu tinha de coragem.

Quando a coragem é inexistente o que nos motiva é nossa estupidez. Sendo assim, abracei o papel de idiota e continuei projetando meu corpo ao inferno.

Finalmente quando te abracei percebi que seu fogo e seu horror não me causava dano. No inferno encontrei meu paraíso.

Battistuzzo,F.

Imagem:here she comes por sangelus

Poeta.

the_author_by_destinyblue-db6plzg.jpg

Poeta.

A serenidade no existir,

apesar do caos das palavras.

Corpo manchado por sentir.

Battistuzzo,F.

Imagem:the author por destinyblue

Feromônios

revised_pheromone_2013_by_tombennett-d5u75ga.jpg

Feromônios.

Confesso estar viciado,

uma droga sinestésica.

Ligeiramente apavorado,

curto a brisa anestésica.

Essa substancia psicoativa,

me traz tranquilidade.

Totalmente exclusiva,

para minha individualidade.

Seu perfume natural,

do seu corpo se exala.

Deixa-me sentimental.

Acredito na nobreza,

do sentir que se embala.

Desfruto dessa pureza.

Battistuzzo,F.

Imagem:revised pheromone 2013 por tombennett

Pós.

i_love_you_by_annairuu-d8ahms0.png

Pós

O sexo já havia acontecido, agora estávamos deitados na cama bagunçada recuperando o fôlego, enquanto minha respiração ainda estava ofegante observo você com um sorriso bobo no canto da boca, com o cabelo bagunçado, a maquiagem borrada, as gotas de suor em sua testa e seu corpo com alguns espasmos.

Levanto e busco o cigarro no bolso da calça, me sento na cama e acendo, lhe entrego esse cigarro e pego outro pra mim.  Quando me deito ao seu lado observo que durante o tempo de queima do tabaco permanecemos calados nos drogando. Enquanto o silêncio reinava na cama sentia o cheiro do tabaco queimado contaminar o seu perfume que havia grudado em minha barba e assim ficamos até o fim do cigarro.

Quando terminamos ainda em silêncio a abracei e senti que nossos corpos ainda estavam suados, passo a mão em seu cabelo e nossos pés se encontram.  Quando me percebo eu é que agora estou com o sorriso bobo no rosto, você me olha, me beija e ri comigo. Foi assim continuamos em silêncio enquanto eu lhe fazia um cafuné. Palavras são importantes, mas nesse caso só foram importante pra descrever nesse texto o ocorrido, pois naquele momento nada mais era necessário ser dito.

Battistuzzo,F.

Imagem:I Love You por Annairuu